O Livro de Clarisse
Lispector será a primeira leitura do grupo Aleph em 2014, que retorna
suas atividades no dia primeiro de fevereiro.
"Uma
mulher mata uma barata. Dito assim, fica difícil acreditar que esse
livro possa ser bom. Realmente, bom não é o adjetivo que usaria para "A
paixão segundo G.H.". Eu diria - estou dizendo, aliás - que é um livro
intenso, cortante, angustiante, demasiadamente lindo e absolutamente
aterrador. Tenho sempre muita dificuldade em falar sobre leituras como
essa, leituras que me tomam e me transformam, das quais não consigo
apreender nenhum conceito ou saber, mas apenas vivo-as como se fossem
parte de mim. E sobre "A paixão segundo G.H." o que tenho a dizer é que
foi uma leitura mortificante. Morri com a barata que G.H. esmagou, e
voltei à vida com as palavras da mesma G.H. - mas minha vida nunca mais
foi a mesma.
Citando
Clarice (que diz de mim melhor do que eu jamais poderei fazer): "Perdi
alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é
necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até
então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé
estável." "

No escurinho do cinema, sentimos o tempo passar? Como deixar de pensar o tempo como um círculo ou como uma linha? Como libertar os alunos das noções seqüenciais que aprenderam com os professores na escola? Vemos o tempo passar ou somos o tempo que passa? Será que Marx teria algo a dizer sobre o tempo da revolta e da esperança que perdemos a cada dia? Será que, no futuro, um humano descendente de colonos estelares fará uma visita no Planeta Terra, para dar uma última olhada? Será...? Como quem tece panos delicados com agulhas finas, dez pesquisadores, aqui reunidos, teceram esta produção multidisciplinar, fazendo essas e outras tantas perguntas ao tempo. Certamente a trama destas respostas possibilitam uma viagem, apinhada de surpresas, pelos tempos (internos e externos) das crianças, dos homens e do universo. Trata-se de um convite aos pesquisadores de diversas áreas do conhecimento e aos professores de todos os níveis de ensino, que queiram refletir sobre a multiplicidade dos tempos e das memórias. Um convite que pode desorientar leitores que não arriscam andar na contramão do tempo uno, administrado pelo capitalismo flexível, que tanto afeta nosso trabalho, nossos sentimentos. Uma contribuição inovadora, que busca evitar os equívocos reducionistas das Senhoras do tempo e Rainhas da memória, ou seja, das disciplinas que ainda hoje teimam em se apoderar do tempo, com exclusividade. 








