domingo, 16 de março de 2014

Sísifo desce a montanha



 Por Paulo Tostes
Último livro publicado pelo escritor e poeta mineiro Affonso Romano, "Sísifo desce a montanha" traz em sua proposta um diálogo com várias questões existenciais e históricas de seu tempo. Percebe-se, também, que a presença da morte é um tema mais evidente no livro, sem perder contudo o pulsar da vida que tanto toca o poeta.
Numa referência ao mito grego, temos aquele personagem que busca driblar o destino e aprisionar a morte, ousadia pela qual foi condenado ao exaustivo e inútil trabalho de rolar uma grande pedra de mármore ao topo de uma montanha, ou seja, o poeta deixa claro o desejo de refletir então sobre a finitude e o tempo, invertendo, em parte, a situação. No caso, Sísifo desce a montanha.
Esta será a leitura do Grupo Aleph no mês de abril.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eros e Civilização



Por Lucam Moraes

O próximo encontro do Grupo Aleph será com "Eros e Civilização". A leitura do mês de março, obra de Herbert Marcuse, traz como tema a compreensão da Repressão Sexual, utilizada por nossa sociedade para sua auto-conservação.

Em Eros e Civilização, Marcuse se utiliza de conceitos psicanalíticos para uma melhor compreender a questão levantada. Ele nomeia essa sociedade unidimensional,ou seja, sem dimensões e/ou diferenciações de valores. Tudo equivale a tudo, todos a todos (como se, basicamente, tudo fosse mercadoria), numa condição de objetos de consumo.

Também a nomeia sociedade administrada – isto é, não há real (pura) liberdade de expressão. Tudo o que dizemos, fazemos, pensamos, gostamos e não...tudo é controlado por uma força maior, inapontável e incombatível.

Marcuse fala de Super-Repressão, que é um conjunto de restrições e imposições que auxiliam a “domesticação” do Homem para o convívio em sociedade, indo além do Recalque e da Contenção do Princípio de Prazer por exigências do Princípio de Realidade de Freud, nos quais há simplesmente uma demanda de sobrevivência do indivíduo – já na Super-Repressão, a finalidade não é simplesmente a conservação da integridade e existência do indivíduo, mas da sociedade em primeiro lugar.

Quando Freud expõe a Contenção do Princípio de Prazer, ele explica como: “O Homem vive em constantes angústia e penúria, assim devendo trabalhar para sobreviver a esse desgosto”. Com isso, não só a Libido é sublimada e convertida num melhor rendimento, mas também o prazer “é ensinado” a se protelar para suportar frustrações e angústias longas (às vezes definitivas).

No entanto, indo mais além, Marcuse aponta que Freud não considerou um aspecto essencial desse contexto: a desigualdade. Ele pontua que se deve considerar que somos indivíduos diferentes, com diferentes necessidades e capacidades e, além disso, há aqueles cuja penúria e angústia são resolvidas com a “condenação permanente” de outros, de diferentes classes sociais e econômicas. E a Super-Repressão, assim como fragmenta as condições existenciais desses indivíduos sociais quase que absolutamente, fragmenta também a sexualidade.

Para que o trabalho seja aceito como valor e virtude central, ocorre a dessexualização e deserotização do indivíduo – “destruindo” as múltiplas zonas erógenas que possui afirmando que qualquer estímulo a elas é imoral, perverso e criminoso –, reduzindo a sexualidade então a mera cópula com fins reprodutivos, limitando-a à genitalidade (ainda assim controlada e contida).

Porém, a Super-Repressão não visa à dominação por si só, mas sim à funcionalização do Homem – transforma o trabalho que era virtude em trabalho alienado, privador de satisfação, prazer, alegria e compensações (sendo essas últimas adiadas, mas nunca alcançadas), assim “destornando-o” fonte de criação e sublimação. Acaba por “matar” o prazer.

Para que a Super-Repressão ocorra devidamente é necessário, contudo, que ela esteja internalizada; e, para que possa ser internalizada, recorre à divisão do tempo e espaço, limitando-os e suas possibilidades de propiciarem um momento para a sexualidade. E, para piorar, essa limitação de tempo-espaço não ocorre só com o sexo, mas também com o lazer.

Essa problemática implica num terrível dilema: o tempo possível de ser dedicado ao lazer é o mesmo da sexualidade. A solução mais exercida para a solução desse dilema – que não é a melhor, mas a “menos pior” – é a fusão de ambos pelo consumo de pornografia, motel, sauna, “casa de massagem”, trazendo uma ilusão de liberdade sexual.

E é por esse caminho que a Super-Repressão se articula com o Princípio de Rendimento. Marcuse o determina como forma contemporânea do princípio de realidade: consumir para produzir e produzir para consumir. Com isso, o indivíduo sente-se humilhado se não atinge às demandas de consumo e produção impostas pela sociedade.

Com isso, a identidade do indivíduo não depende mais da relação [corpo-psique-ics-consciência <–> Natureza-cultura], mas dos critérios de avaliação social.

Deixamos de ser autônomos quanto à sexualidade e nossas próprias vidas para sermos heterônomos – ou seja, deixamos de seguir nossas próprias leis e passamos a ser determinados por leis alheias.

Super-Repressão e Princípio de Rendimento, dessa forma, reduzem o Eros a quase zero e alimentam Thanatos em seu cruel e perverso desejo de morte, vazio e fim.

Acontece que, assim como o recalcado retorna, retorna a Libido reprimida igualmente, que assume três modalidades de manifestação:

1. Princípio de destruição, agressividade realizando o prazer (nazismo, fascismo, massacres, destruição da Natureza...).

2. Infantilização e conformismo, dessublimação repressiva (exibição do nu empropagandas visto como profanação).

3. Revolta de Eros e negação do existente em vez de sua afirmação (“perversões” sexuais como fontes de vida e saúde).

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Paixão Segundo G.H

 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Livro de Clarisse Lispector será a primeira leitura do grupo Aleph em 2014, que retorna suas atividades no dia primeiro de fevereiro.

 
 
 
 
 
 
 
 
"Uma mulher mata uma barata. Dito assim, fica difícil acreditar que esse livro possa ser bom. Realmente, bom não é o adjetivo que usaria para "A paixão segundo G.H.". Eu diria - estou dizendo, aliás - que é um livro intenso, cortante, angustiante, demasiadamente lindo e absolutamente aterrador. Tenho sempre muita dificuldade em falar sobre leituras como essa, leituras que me tomam e me transformam, das quais não consigo apreender nenhum conceito ou saber, mas apenas vivo-as como se fossem parte de mim. E sobre "A paixão segundo G.H." o que tenho a dizer é que foi uma leitura mortificante. Morri com a barata que G.H. esmagou, e voltei à vida com as palavras da mesma G.H. - mas minha vida nunca mais foi a mesma.

Citando Clarice (que diz de mim melhor do que eu jamais poderei fazer): "Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável." "


FONTE: http://letraserestos.blogspot.com.br/2011/03/resenha-paixao-segundo-gh.html

sábado, 23 de novembro de 2013

A Casa dos Braga



A leitura do grupo Aleph neste fim de ano será em torno da obra do escritor Rubem Braga, com o licro a Casa dos Braga. Um obra lírica, nostálgica das memórias de infância do autor na cidade de Cachoeiro do Itapemirim. O poeta Rubem Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 12 de janeiro de 1913 — Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1990) foi um escritor lembrado como um dos melhores cronistas brasileiros do séc. XX, além de ter feito muitas reportagens assinando crônicas diárias no jornal Diário da Tarde entre outros.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O amor nos tempos do cólera





O encotro literário do Aleph em novembro será com o escritor colombiano Gabriel Garcia Marques e sua obra ‘O Amor nos tempos do Cólera’, de 1985. A bela história de amor de Florentino Ariza por mais de 50 anos por Fermina Daza.
  
“Então foi Florentino Ariza quem viu a cara da morte, nessa mesma tarde, quando recebeu um envelope com uma tira de papel arrancada da margem de um caderno de escola, com uma resposta escrita a lápis numa linha só: Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjela.”
Tanto o amor quanto a morte podem trazer questionamentos importantes na nossa vida, isso é mesmo amor? Qual a razão de ter de morrer? São perguntas legítimas que podem aparecer ao longo da vida. Entretanto, o essencial aqui é que o amor de verdade nunca morre, mesmo com todos os percalços da vida, ele pode ainda resistir. 
Fermina Daza e Juvenal Urbino, mas pouco depois descobrimos que Florentino Ariza nutre um amor de mais de 50 anos por Fermina, a qual jurou amor eterno e que também ia espera-la por toda a sua vida, ou pelo menos até a morte de seu marido Juvenal Urbino.
Read more at http://decoisasporai.blogspot.com/2013/06/resenha-o-amor-nos-tempos-do-colera-de.html#gBPlQAyPIzyhMy2W.99
“Então foi Florentino Ariza quem viu a cara da morte, nessa mesma tarde, quando recebeu um envelope com uma tira de papel arrancada da margem de um caderno de escola, com uma resposta escrita a lápis numa linha só: Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjela.” 
Tanto o amor quanto a morte podem trazer questionamentos importantes na nossa vida, isso é mesmo amor? Qual a razão de ter de morrer? São perguntas legítimas que podem aparecer ao longo da vida. Entretanto, o essencial aqui é que o amor de verdade nunca morre, mesmo com todos os percalços da vida, ele pode ainda resistir. 

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“Então foi Florentino Ariza quem viu a cara da morte, nessa mesma tarde, quando recebeu um envelope com uma tira de papel arrancada da margem de um caderno de escola, com uma resposta escrita a lápis numa linha só: Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjela.” 
Tanto o amor quanto a morte podem trazer questionamentos importantes na nossa vida, isso é mesmo amor? Qual a razão de ter de morrer? São perguntas legítimas que podem aparecer ao longo da vida. Entretanto, o essencial aqui é que o amor de verdade nunca morre, mesmo com todos os percalços da vida, ele pode ainda resistir.

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“Então foi Florentino Ariza quem viu a cara da morte, nessa mesma tarde, quando recebeu um envelope com uma tira de papel arrancada da margem de um caderno de escola, com uma resposta escrita a lápis numa linha só: Está bem, me caso com o senhor se me promete que não me fará comer berinjela.” 
Tanto o amor quanto a morte podem trazer questionamentos importantes na nossa vida, isso é mesmo amor? Qual a razão de ter de morrer? São perguntas legítimas que podem aparecer ao longo da vida. Entretanto, o essencial aqui é que o amor de verdade nunca morre, mesmo com todos os percalços da vida, ele pode ainda resistir.

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Os anos 40: a Ficção e o Real de uma Época



A obra da escritora Rachel Jardim será a leitura deste início da primavera do  grupo Aleph. trata-se de um texto memorialístico, com uma escrita fluida de uma autora juizforana que, prestes a completar 40 anos, no início dos anos 70, descreve os tempos de sua infância e adolescência, em Juiz de Fora. 

A obra é uma das maiores referências da autora mineira, sendo um retrato dos costumes sociais de sua família e época. E como ela mesma revela no subtítulo: é um enlace entre a ficção, onde se acentuam os aspectos imaginativos de seu texto, e a realidade, em que se encontram as lembranças que afloram de sua memória sobre os anos 40 vividos nas cidades de Juiz de Fora e Guaratinguetá, a Guará da sua adolescência. 

A obra traz também a perspectiva existencialista de quem enfrenta a inexorabilidade do tempo, buscando ressignifcar a própria vida, além de deixar transparecer partes da história de JF até a 1ª metade do século passado.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Schachnovelle ou o Jogo da Realeza


O texto do escritor alemão Stefan Zweig será a  leitura do grupo Aleph em agosto. Schachnovelle no original em alemão (literalmente, Novela de Xadrez; Xadrez na tradução de Pedro Süssekind) é uma novela do escritor austríaco Stefan Zweig escrita entre 1938 e 1941 em seu exílio brasileiro e publicada pela primeira vez em 1944, após a morte do autor. Esta novela foi o último trabalho de Zweig. Em português foi publicada, em tradução de Pedro Süssekind, junto com dois outros textos do autor, no volume Amok e Xadrez e Fragmentos do Diário, pela Nova Fronteira, em 1993.

A novela conta como um homem rude e ignorante, Mirko Czentovic tornou-se campeão mundial de xadrez. Durante uma viagem de navio, alguns aficionados de xadrez o enfrentam em alguns jogos amistosos que​​, é 
claro, o campeão vence facilmente.

Durante uma das partidas surge o enigmático Dr. B. e, graças aos seus conselhos, os passageiros conseguem um inesperado empate. Depois daquela façanha, eles o persuadem a enfrentar Czentovic sozinho.

Numa espécie de narrativa em abismo em forma de um longo flashback, o Dr. B revela ao narrador (o livro está escrito em primeira pessoa) como logrou enfrentar um campeão de xadrez. Na verdade, o Dr. B., vítima do nazismo, foi torturado com um método especial: por um longo tempo permaneceu em isolamento completo e total. À beira da loucura, a única coisa que lhe deu força para resistir foi um manual de xadrez encontrado por acaso. O "jogo nobre", com suas infinitas possibilidades, manteve viva a sua atenção, o que lhe permitiu jogar centenas de jogos em sua cabeça e preservar sua sanidade mental.

Czentovic exige uma revanche para restaurar sua honra. Desta vez, tendo percebido que o Dr. B jogou muito rápido e quase não parou para pensar, procura irritar o adversário, exercendo pressão psicológica sobre o Dr. B.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ter ou Ser



Erich Fromm foi o pioneiro no questionamento dos valores da sociedade contemporânea sobre o Ter ou Ser. As reflexões do psicanalista estão presentes na obra do mesmo nome, que será discutida no encontro de Junho do grupo Aleph.

"Ter ou Ser" é antes de mais um ensaio desafiador. Através dele, o leitor chega à dolorosa conclusão de que na sociedade contemporânea prevalecem valores associados ao crescente desejo de posse de bens materiais, o consumismo e a sede de poder, o que coloca a humanidade no abissal caminho da destruição social, psicológica e ambiental.

Através dele o leitor pode concluir também que só o desvio dessa rota mortal, poderá posicionar o indivíduo no sentido construtivo do amor, da partilha e da atividade produtiva.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Homem Visível


Em junho, o grupo Aleph se reúne para leitura de "O Homem Visível", de Chuck Klosterman. A um só tempo lúcido, tenso e divertido, o livro trata de diversos temas da modernidade - como a importância da cultura, a influência da mídia, o voyeurismo e a contradição existente em ser uma pessoa considerada "normal" - enquanto nos faz pensar: é possível alguém se tornar invisível aos olhos de uma sociedade que busca, cada vez mais, descobrir, neste mundo midiático e repleto de informação, o que se passa na vida alheia?

Segue a crônica de Martha Medeiros que inspirou a indicação:

Martha Medeiros
Visíveis para si mesmo

Se você fosse um super-herói, qual o poder que gostaria de ter? Pergunta clássica, resposta clássica: 99% das pessoas gostariam de ficar invisíveis. É o desejo também do senhor Y, o enigmático personagem de O Homem Visível, de Chuck Klosterman, livro que mistura ficção científica, bizarrice e suspense numa trama que, ainda que inverossímil, prende o leitor e faz refletir.

Y trabalhou num projeto ultrassecreto do governo americano e acabou desenvolvendo uma tecnologia de camuflagem – ele criou uma espécie de segunda pele que o torna invisível. Com que propósito? Entrar na casa de pessoas que morem sozinhas e, sem ser percebido, vê-las em sua rotina comum. O obcecado Y acredita que uma pessoa é 100% autêntica apenas quando ninguém a está observando.

Ah, super Y. Além de invisível, você lê pensamentos? Acredito no mesmo que você. Sozinha não finjo, não disfarço, não retruco, não provoco, não julgo, não condeno, não sumo, não volto. Sozinha não há céu que me rejeite – assim encerra um poema que escrevi certa vez sobre o benefício da solidão. Não que sejamos todos uns falsos ao sair pela porta de casa, mas é indiscutível que, assim que entra um vizinho no elevador, você automaticamente aciona um dispositivo que produz um sorriso e um comentário sobre o clima, quando na verdade está morta de sono e preferiria continuar calada. Uma atuação inofensiva e gentil, mas, ainda assim, uma atuação. É preciso contracenar.

No entanto, em suas visitas secretas a homens e mulheres que se acreditavam em total privacidade dentro de seus apartamentos, Y repara que elas não se sentem tão relaxadas como deveriam. Ele se dá conta de que as pessoas não consideram o tempo que passam sozinhas como parte de suas vidas. Diz o personagem: “Sempre me senti mais vivo quando estava sozinho, porque esses eram os únicos momentos que não sentia medo de ter minhas ações examinadas e interpretadas. O que acabei descobrindo é que as pessoas precisam que suas ações sejam examinadas e interpretadas, para acreditar que o que fazem tem importância”.

É preocupante. Hoje, as pessoas só confirmam sua existência quando estão em público. No entanto, creio que é justamente quando estamos misturados aos demais que nos tornamos invisíveis. Acabamos infiltrados na manada e compartilhamos opiniões originadas do senso comum, tudo pela ansiedade de fazer parte de alguma coisa.

Já ao nos concedermos momentos de isolamento, entramos em real conexão com nossos desejos, processamos as experiências vividas e esculpimos silenciosamente o homem e a mulher que estamos nos tornando. Ficar sozinho não é estar abandonado, ao contrário: é encontro dos mais sagrados. Invisível para os outros, extremamente visível para si mesmo.

É divertido ser invisível e todos nós temos esse poder, basta estar numa festa para 800 convidados, por exemplo. A visibilidade é que é rara: olhar profundamente para dentro e enxergar o que ninguém mais consegue ver.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Cartas estéticas de Schiller


No mês de maio, o grupo Aleph se reúne para ler a Educação Estética do Homem, de Friedrich Schiller.

Publicada pela primeira vez em 1794, as cartas de Schiller foram inspiradas pelo grande desencanto do autor pela Revolução Francesa, sua degeneração em violência e do fracasso de sucessivos governos em colocar seus ideais em prática.

Schiller escreveu que "um grande momento encontrou um povo pequeno". Ele escreveu as Cartas como uma investigação filosófica sobre o que tinha dado errado e como evitar tais tragédias no futuro.

Nas Cartas ele afirma que é possível elevar o caráter moral de um povo, primeiro tocando suas almas com a beleza, uma ideia que também é encontrada em seu poema Die Künstler (The Artists): Somente através da beleza da manhã é possível penetrar a terra do conhecimento.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Venenos de Deus, remédios do Diabo




 No dia 20 de abril, a leitura do grupo Aleph será sobre a obra de Mia Couto, com "Venenos de Deus, remédios do Diabo".

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português.

A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor “Sidonho”, bem como de Sua celência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade. Aparentemente, Sidónio veio de Lisboa para curar a vila de uma epidemia. Mas é o amor pela desaparecida Deolinda, por quem se apaixonara em Lisboa, que impulsiona seus passos mais íntimos. Quando Deolinda voltou para sua terra natal, Sidónio viu-se teleguiado pelo sonho de reencontrá-la. Mas Vila Cacimba não é o lugar do médico, nem poderá ser jamais. “No fundo, o português não era uma pessoa. Ele era uma raça que caminhava, solitária, nos atalhos de uma vila africana”, diz o engenhoso narrador deste belo romance.


Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Foi jornalista e atualmente é professor e biólogo. ‘O último voo do flamingo’ recebeu o Prêmio Mário António da Fundação Calouste Gulbenkian 2001. Em 1999, o autor recebeu o Prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra.

Abaixo uma link de uma pequena entrevista  do escritor.

Neste vídeo, o escritor moçambicano Mia Couto conta como se tornou um leitor e um escritor de poesia e prosa. Ele também fala sobre seus poetas prediletos e comenta a influência de escritores brasileiros como Jorge Amado em sua literatura.

Bartleby, o escrivão


No mês de março, o grupo Aleph discutiu o o conto Bartleby, o escrivão, de Herman Melville

Bartleby é um jovem contratado por um velho advogado para trabalhar em seu escritório
junto a outros escrivães, de modo que possa influenciá-los a tarefas mais eficientes.... Inicialmente, Bartleby se mostra disposto e interessado, realizando uma quantidade extraordinária de trabalho como se há tempos estivesse obcecado para ler e escrever... Porém, certo dia, quando o narrador pede a Bartleby para revisar um documento, o jovem simplesmente responde "Eu preferiria não fazer", e assim começam
as suas inúmeras recusas...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Em fevereiro, o Aleph descobre as máscaras de Demian



A leitura do grupo Aleph em fevereiro será o livro Demian, de Herman Hesse. 
Hermann Hesse nasceu em 2 de julho de 1877, em Calw (Floresta Negra) e falecru em 09 de agosto de 1962, em Montagnola (Suiça). O pai era originário de um país báltico e a mãe de descendência suíça e sueva. A Suevia ou Suábia = é uma região do Estado Baden-Württemberg que tem Stuttgart por capital e onde Hesse nasceu e estudou. Em 1913 ele se mudou para a Suíça, onde 1923 se naturalizou.
Nascido no seio de uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (que tinham pregado o cristianismo na Índia; por sinal, o avô materno era indologista) e educado em escolas e seminários rigorosamente religiosos, ele, que desde muito jovem mostrou uma personalidade independente, não conseguia se enquadrar nas normas sociais correntes e nem no ideário religioso da família. Aliás, o ambiente familiar e educacional fez com que ele nunca acreditasse em verdades únicas e que se tornasse um pensador em constante busca de caminhos. Os seus livros refletem essa busca incessante de sentido. Se isso já fica claro em Demian (1917, publicado em 1919), tornou-se o 'Leitmotiv' de Sidhartha (1922), do qual o Demian é precursor. Ambos os livros trazem claras referências autobiográficas.

O DEMIAN é considerada por muitos críticos a obra principal de Hesse que, nela, mostra a influência que sofreu dos escritos de Nietzsche e a aplicação de seus conhecimentos de psicanálise  (junguiana) na elaboração do drama ético, tornado evidente na enorme confusão mental de um jovem que toma consciência da fragilidade da moral, da família e do Estado.

De formação inicial clássica, Hesse cultuava a música e a pintura. Todavia, os escritos desse pensador infatigável abrangem várias outras áreas. Hesse tb. viajava muito, sempre interessado nos hábitos e pensamentos de outras culturas. Ainda tinha parentes na Índia,  para onde viajou em 1911. Essa foi a cultura que deixou marcas mais evidentes em seu Sidarta.

Hesse ganhou o Nobel de Literatura em 1946 e outros grandes prémios literários (p.ex.o Premio Goethe em 1946) .

Outros significados de Demian = desambiguação [de fato ... vamos pensar....]

Enredo parcial:

O livro conta a história de um jovem - Emil Sinclair, protagonista e narrador - criado por pais muito piedosos que, de repente, se vê em um mundo bem diferente daquele pregado por seus pais e avós. Atormentado pela falta de respostas às perguntas que faz sobre sua existência passa a procurar na introspecção suas respostas. Dividido entre o mundo ideal e o real, com suas interpretações (mundo claro e paternal, associado às ideias de seus pais e à residência destes, e o mundo sombrio e frio, externo à residência dos pais e com valores estranhos a estes), Sinclair experimenta ambos, através do confronto com suas próprias concepções, para tentar encontrar sua verdadeira personalidade. Percorrendo este caminho perigoso, influenciado por Max Demian, um colega de classe precoce e envolvente.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Último Dançarino de Mao





Iniciando os encontros do Aleph em 2013, o grupo escolheu o filme "O Último Dançarino de Mao" do cineasta Bruce Beresford. O encontro para discussão da obra será no dia 12 de janeiro.

O filme apresenta a história real do bailarino chinês Li Cunxin. Em meio à Revolução Cultural de Mao Tse Tung, aos 11 anos, Li foi tirado de seus pais, com quem vivia numa aldeia pobre, e levado para estudar balé na escola de dança de Madame Mao, em Pequim.
Durante um intercâmbio no Texas, o bailarino consegue um lugar na Companhia Houston Ballet. Nos Estados Unidos, Li conhece a liberdade e uma vida nova.
No entanto, depois de manobras legais impedirem que oficiais chineses levassem Li de volta para a China, o dançarino descobre que para lutar pelos seus sonhos terá que abandonar para sempre sua família.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua



O Brasil ainda comemora o centenário de Jorge Amado e, para homenagear o grande autor, o Aleph vai realizar a leitura de A morte e a morte de Quincas Berro D´água. O encontro será no dia 15 de setembro, no Terapeuticum, às 19h30.

Celebrada por muitos como a obra-prima de Jorge Amado, a novela A morte e a morte de Quincas Berro Dágua foi publicada pela primeira vez em 1959, na revista Senhor, com ilustrações de Glauco Rodrigues. O escritor vivia então um dos melhores momentos de sua carreira. No ano anterior, publicara Gabriela, cravo e canela, livro que marcou uma virada em sua obra, e em 1959 recebeu o título de obá orolu, uma das mais altas distinções do candomblé. Em 1961, o autor seria eleito para a cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras.

A primeira edição de A morte e a morte de Quincas Berro Dágua em livro é de 1961, no volume Os velhos marinheiros. A novela [como gênero literário, ora é classificado de novela, ora de conto] vinha acompanhada da narrativa A completa verdade sobre as discutidas aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão-de-longo-curso, texto que depois seria editado à parte como O capitão-de-longo-curso.

O sociólogo Roger Bastide elaborou um longo estudo que serviu de prefácio à edição francesa da novela. O texto foi publicado ainda em mais 21 países e ganhou adaptação para o teatro algumas vezes, a primeira em 1972. Em 1988, foi encenado na França. Na televisão, virou novela da TV Tupi em 1968. Dez anos depois, Walter Avancini e James Amado realizaram As mortes de Quincas Berro Dágua para a série Caso Especial, da Rede Globo, com participação de Paulo Gracindo, Dina Sfat, Stênio Garcia, Flávio Migliaccio e Antônio Pitanga.

Em 2006, A morte e a morte de Quincas Berro Dágua foi apontado como o melhor livro de Jorge Amado, numa enquete feita pela revista Entrelivros, da qual participaram Antonio Dimas, Milton Hatoum, Ferreira Gullar, Fábio Lucas, João Ubaldo Ribeiro e Boris Schnaiderman.


TRECHOS DO POSFÁCIO DE Affonso Romano de Sant’Anna

"Esta história do Quincas Berro Dágua que você acabou de ler, tão inventada, é verdadeira.

Verdadeira, sobretudo, em dois sentidos. Primeiro e obviamente, porque o personagem Quincas ganhou vida própria desde que a obra foi publicada, em 1959, nas páginas da célebre revista Senhor, sendo imediatamente traduzida em dezenas de línguas e logo transubstanciada em outras formas artísticas como teatro, balé e televisão. Portanto, a exemplo de Balzac, na França do século XIX, que criava tipos tão verossímeis que pareciam competir com a realidade do registro civil, este personagem do nosso Balzac baiano renasceu airosamente da folha de papel e passou a viver encarnado no imaginário de incontáveis leitores.

Mas vou lhes revelar que esta história também é verdadeira porque deriva de um fato realmente sucedido. E digo isso certo de que a maioria dos leitores desconhece o episódio que levou a alucinação romanesca de Jorge Amado a elaborar esta obra prima, que não é um romance nem um conto, mas uma novela exemplar. Exemplar até no sentido que Cervantes, que tanto lidava com o cômico e o picaresco, usou em suas Novelas exemplares e em Dom Quixote."

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Velho e o Mar



No mês de maio, o Grupo Aleph esteve reunido para discutir o último filme de Wood Allen, Meia-noite em Paris. O encontro do personagem do filme com personalidades da Paris dos anos 20, levou aos participantes à escolha de Ernest Hemingway, para sua próxima leitura, agendada para 16 de junho.
Um pouco sobre o autor e sua principal obra, na colaboração do texto da alephiana Ingeborg Scheible:


HEMINGWAY

Ernest Miller Hemingway (Oak Park, 21 de Julho 1899 — Ketchum, 2 de Julho 1961) foi um escritor norte-americano.
Quando da 1ª guerra mundial, decidiu ir à Europa (em 1918). Hemingway queria combater, mas só conseguiu uma vaga de motorista de ambulância na Cruz Vermelha. Na Itália, apaixonou-se pela enfermeira Agnes Von Kurowsky, sua inspiração na criação da heroína de Adeus às Armas (1929) ...
Hemingway fazia parte da comunidade de escritores expatriados em Paris, conhecida como "geração perdida", nome inventado e popularizado por Gertrude Stein. Levando uma vida turbulenta, Hemingway casou-se quatro vezes, além de vários relacionamentos românticos, praticamente confirmando o que predisse seu amigo, Scott Fitzgerald, quando eles se conheceram em Paris: “Você vai precisar de uma mulher a cada livro”. [Obs. minha: estão lembrados dadiscussão em torno à ligação do amor com a morte entre o protagonista do filme e Hemingway?] . Com a primeira mulher, Elizabeth Richardson, teve um filho, com a segunda, Pauline Pfeiffer, dois. 

O VELHO E O MAR:
O Velho e o Mar (The Old Man and the Sea, no original em inglês) é um romance de Ernest Hemingway, escrito em Cuba, em 1951, e publicado em 1952.[1]
Foi a última grande obra de ficção de Hemingway a ser publicada ainda durante a sua vida, sendo uma das suas obras mais famosas.
Conta a história de um velho pescador que luta com um gigante espadarte em alto mar por entre a Corrente do Golfo. Apesar de ter sido alvo de apreciações muito divergentes por parte da crítica, é uma obra que permanece uma referência entre os livros de Hemingway, tendo reafirmado a importância do autor em tempo de o qualificar para o Prêmio Nobel de Literatura de 1954.
A essência da história é a luta constante do homem contra a natureza, disputando sua sobrevivência, com destaque para a importância não só da experiência, mas também da sorte e da perseverança
 
A vida e a obra de Hemingway tem intensa relação com a Espanha, onde viveu 4 anos. Trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola e ao cobrir essa Guerra (1937) como jornalista do North American Newspaper Alliance, não hesitou em se aliar às forças republicanas contra o fascismo. Essa experiência inspirou uma de suas maiores obras, Por Quem os Sinos Dobram. Ao fim da Segunda Guerra Mundial se instalou em Cuba.

Em 1952 publica "O Velho e o Mar", considerada a sua obra-prima, com o qual ganhou o prêmio Pulitzer (1953), . Foi laureado com o Nobel de Literatura de 1954.
Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, depressão e perda de memória, Hemingway decidiu-se pelo suicídio.
Ao longo da vida do escritor, o tema suicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas de saúde e financeiros. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora de canto e ópera, atormentava o filho com a sua personalidade dominadora. Ela enviou-lhe pelo correio a pistola com a qual o seu pai havia se matado. O escritor, atônito, não sabia se ela queria que ele repetisse o ato do pai ou que guardasse a arma como lembrança.[!!!]
Todas as personagens deste escritor se defrontaram com o problema da "evidência trágica" do fim. Hemingway não pôde aceitá-la. A vida inteira jogou com a morte, até que, na manhã de 2 de julho de 1961, em Ketchum, Idaho, tomou um fuzil de caça e disparou contra si mesmo.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

O burrinho Pedrês (Conto de Sagarana), de Guimarães Rosa



O Burrinho Pedrês é a leitura do grupo Aleph para o dia 28 de abril.
A trama desse conto, como nas demais narrativas de Guimarães Rosa, é relativamente simples. Publicado pela primeira vez em 1946, O burrinho pedrês é uma história sugerida por um acontecimento real, passado no interior de Minas Gerais, envolvendo um grupo de vaqueiros. É a história da condução de uma boiada em dia de fortes chuvas, em algum ponto indefinido do sertão, sob a tensão de uma maquinação ameaçadora de ciúme e crime. 
O seu desfecho, de todo surpreendente, só poderia ser idealizado por um mestre da palavra e da criação literária. O foco da narrativa está centrado em um burrinho pedrês, que é testemunha de um trágico acidente. Em contraponto com a intriga que se desenvolve entre os boiadeiros, há episódios relacionados com o ciclo mítico do boi, onipresente na vida sertaneja. Pairando sobre tudo e todos, destaca-se a figura sábia e intensamente "humana" do burrinho pedrês, que aparece pouco na ação mas, como citado, domina o universo da narrativa.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ecos de Manu, a menina que sabia ouvir

Após reunião do Grupo Aleph, em torno do livro Manu, a Menina que sabia ouvir, reeditado como Momo, o senhor do tempo, a alephiana Arlete trouxe esta contribuição sobre a origem do I Ching.O tema surgiu como reflexão em cima da personagem Cassiopéia, a tataruga que sabiamente responde à menina Manu: "não podes me levar nos braços para irmos mais rápido. Não é possível porque o caminho está em mim".

  Casco tartaruga.jpg

 Este quadrado mágico ou “Lo Shu”, de nove casas, é um gráfico de pontos pretos (Yin) e brancos (Yang). Surgiu no centro da China, há milhares de anos atrás, às margens de um rio. Está inscrito no casco de uma tartaruga, que é o símbolo da longevidade, e foi interpretado como “movimento e interação entre as energias

Tudo começou há cerca de 5000 mil, mais ou menos com o inicio da medicina chinesa, e o que se conta é que Fo Hi uma figura lendária inventou os Kua que seriam os signos, onde em 1882, o inglês James Legge cunhou os termos trigramas e hexagramas, dando entendimento para o livro das Mutações – I Ching.
Fo Hi teria deixado a descrição dos 8 kuas (trigramas) no casco de uma tartaruga que representava a imagem do mundo, depois esses 8 trigramas foram colocados dentro de um quadro, onde o centro era representado pelo Tai Chi : energia Universal, e estas imagens estão em constante mutação, demonstrando a efetiva mudança e transição que ocorre no mundo a cada instante, e esse quadro foi chamado de quadrado mágico.
Os resultados de tudo isso, foi o surgimento de doutrina da dualidade Yin e Yang e a teoria dos cinco elementos.
Confúcio traduziu e deu entendimento ao I Ching e Lao Tse, através do I Ching descreveu a Lei do Tao, o curso das coisas, onde a imutável e eterna lei atua em tudo, e cujo princípio primordial é o QI - Tai Chi - energia cósmica universal, principio meio e fim de todas as coisas. Outros filósofos, assim como os discípulos de Confúcio, contribuíram para o I Ching, que não seria um livro de adivinhações, mas sim uma Filosofia de Bem viver. O I Ching é o mais antigo livro de filosofia que a humanidade possui (fruto da Filosofia Taoista e Confucionista).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Manu a menina que sabia ouvir



Michael Ende (Garmisch-Pantenkirchen, 12 de Novembro de 1929 — Filderstadt-Bonlanden, 29 de agosto de 1995) foi um escritor alemão de romances sobre fantasia e livros infantis e fazia parte do movimento antroposófico.

Filho do pintor surrealista Edgar Ende, tornou-se conhecido por seu trabalho Die unendliche Geschichte (A História sem Fim), e seus outros livros incluem Momo e o senhor do tempo ( Manu a menina que sabia ouvir ) e Jim Knopf.

Ele é um dos mais famosos autores do século XX, por seus sucesso com livros infantis, que convida o leitor a entrar em um estranho mundo cheio de símbolos visionários e o poder de se identificar com os heróis de suas histórias.

Os livros de Michael foram traduzidos em mais de quarenta idiomas e vendidos mais de vinte milhões de cópias.

Sinopse - Manu a menina que sabia ouvir -

Não é que Manu desse tão bons conselhos, ou sempre encontrasse as palavras certas para dizer. Não é que ela divertisse o pessoal, cantando, dançando, ou tocando algum instrumento. Não é que ela tivesse poderes mágicos, ou lesse a mão, ou enxergasse o futuro.
O que Manu sabia fazer melhor do que qualquer outra pessoa, era ouvir. Não é coisa que qualquer um pode fazer. E a maneira como Manu ouvia era realmente fora do comum. Manu ouvia de um jeito que fazia as pessoas burras terem idéias inteligentes. Ela não dizia, nem perguntava, nada que pudesse pôr tais idéias na cabeça das pessoas: ela ficava simplesmente ali sentada, ouvindo com atenção e simpatia. E fitava a pessoa com seus grandes olhos negros, dando-lhe a impressão de que as idéias que surgiam haviam nascido espontaneamente.(...)
Era essa a maneira de ouvir de Manu."