Aleph - Grupo de literatura que propõe a reflexão e a discussão de obras literárias e outras afins ao universo da cultura em geral - Juiz de Fora-MG, Brasil.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Obras lidas 2010
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101º "O jardim dos caminhos que se bifurcam", de Jorge Luís Borges
100º "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley
99º "Alice no país das maravilhas", de Lewis Carrol
98º "Cartas Persas", de Montesquieu
97º Aniversário do Aleph: Filme "O violino vermelho"
96º "Angústia", de Graciliano Ramos 95º “Cartas de amor”, de Mariana Alcoforado
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Retrato do artista quando jovem
Retrato do Artista Quando Jovem é o primeiro romance de James Joyce, publicado em 1916. Narra as experiências da infância e adolescência de Stephen Dedalus, o alter ego do autor, no caso, um rito de passagem para a idade adulta, que inclui deixar para trás a família, os amigos e a Irlanda. Na obra, destaca-se o uso sistemático do monólogo interior, o que convida o leitor, desde o primeiro capítulo, a entrar na mente de Stephen Dedalus para acompanhar seus pensamentos, reações e os processos psíquicos de sua consciência. Nessa perspectiva, apresenta-se um romance de formação, ou seja, expõe de forma pormenorizada o processo de desenvolvimento físico, psicológico, social e estético do personagem Dedalus. Como uma “autobiografia”, o romance vai das memórias à (re) criação da trajetória de um jovem que deseja profundamente ser um artista, mas que, primeiro, precisa vencer as forças que reprimem sua imaginação – as convenções e herança da Igreja, da escola e da sociedade. Portanto, trata-se de uma narrativa que reflete também a profunda relação de amor e ódio que o autor manteve durante toda a vida com sua terra natal, Dublin, e com a cultura que o formou. Por isso mesmo, a narrativa sinaliza também os primeiros passos de James Joyce em direção ao universo de sua grande obra, Ulisses, publicada em 1922. Vale lembrar que o nome Dedalus remete, tal como na referida obra, à mitologia e à tradição da Antiguidade Clássica, que é outro ponto crucial para a leitura do escritor irlandês. Sendo assim, para se começar a conhecer a escrita joyceana, nada melhor do que iniciá-la com o retrato do próprio do artista.O jardim dos caminhos que se bifurcam

Cartas Persas

domingo, 9 de maio de 2010
Admirável Mundo Novo
Para a próxima leitura de junho, teremos o famoso Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley que, em 1931, publicou nada menos que um texto futurista. Embora trazendo uma reflexão que nos dias de hoje possa parecer já superada, não há como negar que o livro traz uma questão importante: o cientificamente possível é eticamente viável? O Admirável Mundo Novo relata uma sociedade completamente organizada, sob um sistema científico de castas. Não há vontade livre, que é abolida pelo condicionamento, e a servidão é aceitável devido a doses regulares de "felicidade química" e a ideologias que são ministradas em cursos durante o sono. Obervando o contexto atual, poderíamos então imaginar um futuro parecido, em meio à manipulação midiática e às custas de "admiráveis conquistas" da ciência. Será o excesso preconizado por Huxley o pesadelo virtual de Matrix, e a fábula cinematográfica atual?quarta-feira, 14 de abril de 2010
Alice no país das maravilhas

Por Paulo Machado
domingo, 17 de janeiro de 2010
Angústia - Graciliano Ramos

Recordando constantemente o passado da família, principalmente o avô e o pai, o que lhe chegam são cenas e imagens de um pesadelo sem fim. Em meio à incômoda e volúvel relação com Marina, o personagem Luís vive a extrema angústia diante de uma vida pobre, violenta e resultante da frágil economia do sertão das Alagoas, e que o narrador chama "a minha raça vagabunda e queimada pela seca". Assim, nesse árido ambiente, um crime ou uma ação boa dá tudo no mesmo. Afinal, ele já nem sabe o que é bom e o que é ruim, tão embotado vive, como afirma em certa passagem da narrativa. Eis a condição do modesto e inquieto funcionário público Luís é também uma parte do que viveu o escritor, entre a intensa atividade política e a perseguição que daí adveio, e que culminou na grande obra Memórias do Cárcere, publicada após sua morte. Enfim, uma boa leitura e bem ao estilo de Graciliano Ramos: uma dose de história, uma linguagem enxuta, imagética e existencial.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Cartas de Amor
Mas, se “o amor é melhor experimentá-lo do que julgá-lo”, como aponta Camões no Canto X d’ Os Lusíadas, as cartas, inclusive as de Mariana, sugerem mesmo que a ficção é melhor saboreá-la do que julgá-la.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Obras lidas 2009
93º “Totem e Tabu” de Sigmund Freud
92º “Cultura - Um conceito antropológico" de Roque de Barros Laraia
91º Encontro temático: “O tempo”
90º “Apologia de Sócrates” de Platão
89º “Macunaíma” de Mário de Andrade
88º “Vidas secas” de Graciliano Ramos
87º “Diário de um sedutor” de Sören Kierkegaard
86º Encontro temático: “O erotismo”
85º “O corvo” de Edgard Allan Poe
84º Dinâmica: Produção dos integrantes
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ou "Ardiente Paciencia" - Antonio Skármeta

quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O carteiro e o poeta
O livro, que virou filme tendo uma boa recepção no cinema na última metade da década passada, certamente é mais intenso. No entanto, mais do que dizer simplesmente que o livro é muito melhor que o filme, vale destacar o engenho do escritor em produzir um texto que pudesse ser simples, agradável e bem desdobrado em outra linguagem estética. Se observarmos com atenção, veremos que a textualidade favorece esse aspecto, o que é facilmente explicado dada a relação do escritor com as artes visuais. Além de sua formação em Letras e Filosofia, tendo estudado em Colúmbia, EUA, ele já produziu filmes de cunho político e foi diretor de teatro. E ainda traz na bagagem mais de uma dezena de livros já publicados.
Eu seria suspeito em optar pelo livro, mas algo que muitos esquecem é que o cinema não é literatura, embora possa refletir esse teor, e a literatura não é cinema, apesar de poder ser, também, suscetível à sétima arte. Um não tem que provar uma verdade para o outro. Mesmo assim, os dois podem ser ótimas leituras, e que jamais devem se excluir. Claro, às vezes o filme decepciona bastante os amantes do texto, ou o contrário também, por que não? Mas, neste caso, apesar das variantes que há entre o livro e o filme, cada qual traz um “olhar próprio”. Além disso, a intertextualidade nas duas experiências estende o olhar de quem lê e assiste. Afinal, a diferença em relação, por exemplo, aos lugares onde se desenrola a narrativa – Isla Negra, no livro, e a Itália mediterrânea no filme – não altera o enredo do livro, pois, se na obra escrita o poeta Neruda tem que ir a Paris, por ter sido nomeado embaixador pelo presidente eleito, Salvador Allende, no filme ele tem que retornar ao Chile por ter sido convidado a participar da campanha presidencial. São deslocamentos que não ferem a essência da narrativa, ao menos naquilo que envolve o afeto e a nostalgia entre o poeta e o carteiro Mário Jiménez, e muito menos as doces recordações de uma grande amizade. Talvez um “desconcerto” entre o terno e singelo filme e o apelo ardente do livro, mas, aí, o título anterior justifica e parece dar conta muito bem do que ficou na literatura e depois no cinema: Ardiente Paciencia...
O que mais posso dizer desta leitura? O cenário e o enredo me vêm, particularmente, como um deleite, seja La Bella Isla Negra ou Una piaggia in Italia. A sensibilidade do escritor vale, sem dúvida, a leitura do livro: uma história de respeito mútuo e de amor, que é atravessada pelo autoritarismo dos governantes, mas também profundamente tocada pela beleza das pequenas coisas, tão cantada nos versos de Neruda.
No mais, o carteiro Jiménez, com seu vagar, educação e simplicidade, nem por isso deixa de exaltar apaixonadamente as duas pessoas que mudariam sua vida: o poeta e sua musa, cujo nome, muy sugestivamente, é Beatriz... Querem mais? Não é por menos que, no filme, saudoso de sua ilha, Neruda chega a pedir a seu amigo uma gravação com os sons do lugar (ver a capa do livro), tarefa que Mário cumpre com louvor...
Enfim, um cenário político ao fundo, uma aldeia de pescadores, o poeta debruçado sobre cartas e cartas, e, por fim, o frescor e a beleza caliente de uma tal Beatriz... Bom, tudo isso já traz, pra mim, razões mais do que extemporâneas...
Por Paulo Machado
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Totem e Tabu
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"O valor do amanhã" de Eduardo Giannetti
Se é fato que em nenhum dos encontros se pretendeu "esgotar o tema" ou a obra em questão, não por isso deixa de ser válido retomarmos algumas questões e acréscimos do(s) encontro(s) passado(s) como no recente tema do último encontro "O tempo". "Os juros fazem parte da vida de todos os homens - aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia-a-dia. O princípio econômico é simples - o devedor antecipa um benefício para desfrute imediato e se compromete a pagar por isso mais tarde, e quem empresta cede algo de que dispõe agora e espera receber um montante superior no final da transação. Em 'O valor do amanhã', Eduardo Giannetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão comum quanto a força da gravidade e a fotossíntese. Enxergar o fenômeno unicamente do ponto de vista comercial obscureceria sua enorme variedade e abrangência. A questão dos juros 'não se restringe ao mundo das finanças, atinge as mais diversas e surpreendentes esferas da vida prática, social e espiritual, a começar pelo processo de envelhecimento a que nossos corpos estão inescapavelmente sujeitos', diz Giannetti. Desde o momento em que aprendeu a planejar sua vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando esta prática. A noção de juros já 'está inscrita no metabolismo dos seres vivos e permeia boa parte do seu repertório comportamental'. A prática de dieta, a dedicação aos estudos e os exercícios físicos para melhorar a saúde são situações da vida nas quais se manifesta a realidade dos juros. É desta maneira original que Giannetti analisa o tema. Ao extrapolar os limites puramente financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas - como a alta taxa de juros no Brasil - têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade. Nos capítulos finais o autor discute os problemas éticos decorrentes da prática de juros extremamente elevados."
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O tempo na Ciência
Na - Ciência - o tempo é retratado particularmente na Física, quando se torna imperativo sua relação com o espaço, embora também noutros aspectos conforme a área e "objeto" que a ele como tudo, se submetem nas reflexões das diversas e possíveis abordagens. Obras como "Uma breve história do tempo" (2002, Rocco) de Stephen Hawking e "Os gênios da ciência" (2004, Campus) com 5 obras clássicas dos maiores cientistas da história em suas contribuições das quais, o tempo, é matéria básica de teorias revolucionárias como as de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, Isaac Newton e Albert Einstein (org. pelo mesmo Hawking).O tempo no Cinema
No Cinema - o tempo - é abordado de formas curiosas e das mais inusitadas: a partir do sentido em que os personagens se situam na ordem cronológica e espacial da narrativa de modos diversos, como o nascer velho para morrer infante no recente "O curioso caso de Benjamin Button" (EUA, 2008), das viagens através do tempo em "A máquina do tempo" (EUA, 1960), "Time after time" (EUA, 1979) este, baseado na obra de H. G. Wells, lembrando também de outros como "O planeta dos macacos" (EUA, 1968) e "Exterminador do futuro" (EUA, 1984). O tempo na Música
Na Música - o tempo - certamente é dos temas mais recorrentes, além de sempre inspiração para letras e canções, considerando que a própria estrutura da mesma por cronometrada (no ritmo/compasso) lhes reserva inestimável valor, à parte as nuances e particularidades conforme gênero e estilo, instrumento e gosto. Dos muitos estilos e gêneros, músicos e grupos, em particular no gênero do pop-rock nacional, lembrei-me de Cazuza (1958-1990) com "O tempo não pára" (1988) e, mais particularmente pela preferência, "Tempo perdido" do álbum "Dois" (1984-86) da Legião Urbana. Esta, considerada um dos "hinos" da geração dos anos 80.O tempo na Filosofia
Na Filosofia o - tempo - é objeto de ampla reflexão nos variados aspectos e escolas que, desde a Antigüidade, ocuparam-se das reflexões como os diversos filósofos em todos os períodos do tempo. Se na Antiguidade boa parte dos Pré-socráticos, passando Platão (427-347 a. C.) e Aristóteles (384-322 a. C.) fizeram dele constantes investigações, na Idade Média Santo Agostinho (354-430) foi dos mais significativos que o pensaram, tendo dedicado todo o livro XI com 31 itens das suas "Confissões" (397/398) a ele, onde se destacam "O tempo não pode medir a eternidade" (11), "O que é o tempo?" (14), "As três divisões do tempo" (15) e "Pode-se medir o tempo" (16). Na "Summa Theológica" (1272) de Tomás de Aquino (1225-1274) também é retratado com relevância ora mais, ora menos central, mas sempre presente assim como outras importantes questões do período, variando no tempo, mas nunca fora dele. Na história da filosofia é imprescindível a contribuição de Immanuel Kant (1724-1804) e de sua "Crítica da razão pura" (1781) entre outros pensadores. Mais adiante o tempo, é retratado em seus aspectos mais específicos como na idéia de - duração - em Henri Bergson (1859-1941) vide "Duração e simultaneidade" (1922). Na contemporaneidade, a obra filosófica considerada a mais importante do século XX é "Ser e tempo" (1927) do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976). Nela com particular destaque a partir do título, onde a dimensão temporal é a própria e a mesma constitutiva do ser, que o é e se torna no mesmo tempo na diversa temporalidade que compõe a história humana entre a cultura que ela cria (e o tempo em suas formas múltiplas com os relógios, calendários, cronômetros, etc) e, a natureza onde foi criada (com a eternidade).O tempo na Literatura
Na Literatura - o tempo - é não só destaque como base para muitos dos grandes clássicos da literatura universal como "Em busca do tempo perdido" (1913-1927) de Marcel Proust (1871-1922) e "O tempo e o vento" (1949-1962) de Érico Veríssimo (1905-1975). Destaco também a presença do mesmo no Antigo Testamento da Torá judaica e Bíblia cristã, "Crônicas", gênero aliás por excelência na referência direta ao próprio radical que confere a ele e ao tempo, origem etimológica comum. Mas certamente existem muitas outras obras que retratam o tempo como tema central, ainda que "sob a pele" de muitos e insuspeitos personagens que ele envelhece, torna célebre inovidável, mata anonimamente ou eterniza no permanente presente.domingo, 13 de setembro de 2009
"Cultura - um conceito antropológico" de Roque de Barros Laraia
A obra a ser debatida no próximo mês de outubro será: "Cultura - um conceito antropológico" (2008, Jorge Zahar, 120 pgs) do antropólogo, o Profº da UnB, Roque de Barros Laraia."Uma introdução ao conceito antropológico de cultura, realizada de forma didática, clara e simples. A primeira parte do livro refere-se ao conceito de cultura a partir das manifestações iluministas até os autores modernos, enquanto a segunda procura demonstrar como a cultura influencia o comportamento social e diversifica enormemente a humanidade, apesar de sua comprovada unidade biológica. O autor procura utilizar, sempre que possível, exemplos referentes à nossa sociedade e às sociedades tribais que compartilham nosso território, o que não impede a utilização de exemplos de autores que trabalham em outras partes do mundo."
O autor da obra deste mês "Cultura - um conceito antropológico", Roque de Barros Laraia, é professor emérito da UnB. Iniciou sua carreira, como antropólogo, no Museu Nacional da UFRJ. Em 1969 transferiu-se para a UnB, onde dirigiu o Instituto de Ciências Humanas, sendo promovido a professor titular em 1982. Doutor pela USP, membro de associações científicas do país e do exterior, presidiu a Associação Brasileira de Antropologia (1990-92) e foi eleito presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) em 2000. Integrou a primeira comissão coordenadora do Pronex e os comitês de assessores do CNPq e da Capes. É também organizador da coletânea Organização Social (1969) e tem vários artigos publicados em revistas especializadas.
Para o Currículo Lattes do Professor e Pesquisador acesse:
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
"Breve consideração sobre o tempo"
Ao examinarmos a problemática relativa ao tempo, parece-nos que estamos diante do inapreensível. Então, por que levantar tal questão? Bastaria que nos contentássemos com os relógios. Não são estes os medidores do tempo? Todavia, há muito tempo o homem descobriu que, se os relógios lhe permitem medir alguma coisa, não é certamente o “tempo invisível”, este imensurável silêncio que nos toma inelutavelmente as vontades. Nesse sentido, é pela subjetividade que podemos ousar o alcance do tempo, e diríamos, poeticamente, torná-lo maior do que toda a eternidade.